terça-feira, 14 de outubro de 2008

Textos produzidos por Patrícia Diniz


Infância roubada

Me lembro dos meus oito anos. Era feliz. Brincava, viajava, até que meus pais brigaram e resolveram se divorciar.
Fiquei triste. Não quis saber de mais nada. Nem de brincar, nem viajar. Nada.
Quando estava me acostumando com a situação, uma sombra assolou nossas vidas. Minha mãe ficou cegamente apaixonada.
Ao anoitecer tinha medo do escuro, medo das minhas próprias cobertas, medo de ficar sozinho.
O tempo foi passando e ia deixando o que eu mais amava de lado, inclusive meu pai.
A minha infância já não existia, minha inocência fora roubada. E hoje ainda tenho medo.

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Caminhava

Caminhava. Apenas caminhava.
As estrelas iluminavam a rua escura.
Admirando a linda noite sem luar, um barulho me chama de volta.
Desnorteada, fui invadida pela solidão escura e fria da noite sombria.

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Dor

Começou quando chegou em casa. Todo despenteado, com a gravata frouxa, sapato desamarrado, camisa fora da calça, todo bagunçado. Sorridente, cambaleando e tropeçando nos próprios pés.
De início era assim. Feliz. Mas com o passar do tempo se tornou freqüente, cansativo e chato.
O que era engraçado virou pavoroso.
Seu tom de voz ficou mais alto, ameaçava-me cada vez que chegava em casa. Estremecia. Temia o futuro, temia algo que estava muito próximo.
Um dia ao chegar em casa, estava mais agressivo do que antes. Eu tom de voz vinha ecoando do corredor.
Ao olhar em meus olhos, senti dor. Ela não cessou até eu gritar. Nunca mais olhei em seus olhos.

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