Num restaurante tradicional da pequena cidade de Ilhéus, na Bahia, um viajante chamado Kayke dos Anjos decide tirar uma folga de suas férias na cidade para comer alguma coisa num restaurante no centro da cidade, mas quando é atendido pela garçonete, seus olhos convertem-se em circunferências brilhantes, e os raios das tais concentram-se centrifugamente na direção ao seu corpo esculpidos pelos deuses, e, com certo desejo, rastreia cada curva em sua resolução mais precisa.
Enquanto esperava seu pedido, tentava a garçonete, encostada na parede a trocarem olhares, e apesar de inocente filha do dono, que tem o restaurante como sustento, ela correspondia: observava, sorria e timidamente fugia ao olhar.
O pedido logo veio, e ela, ao colocá-lo à mesa, deixou escapar um detalhe escondido atrás de seu vestido. A inocente moça logo se recuou envergonhada e pediu desculpas. Kayke, também embaraçado, lhe disse que o que é bonito deve ser mostrado, fazendo com que tímidos risos saíssem da boca da moça, que se se retirou para a cozinha.
Quando Kayke quis pedir a conta, a irmã da garçonete, também exercendo o mesmo, acatou-lhe o pedido e deixou em sua mesa um bilhete o informando para encontrar sua irmã ao pôr-do-sol na praia.
Mais ao final da tarde, Kayke foi a caminhar até a praia. A luz dissipava-se, as cigarras cantavam, a praia estava deserta, a única coisa que se ouvia fortemente eram as ondas desmantelando-se à orla, mas de repente, as batidas cardíacas de Kayke começaram a tomar conta dele, e ao vê-la com seu vestido soprando ao vento, ele se aproximou e beijou-a. Se beijaram como nunca haviam beijado antes, de repente o vento soprou mais forte, as ondas quebravam a barreira do som, as gaivotas gorjeavam sem cessar e seu vestido já voava pelos ares.
Amanheceu sozinho na praia, ela havia sumido; então colocou a roupa e regressou então para seu hotel, mas no caminho refletiu: conheceu os mais profundos segredos da moça sendo que nem seu nome sabia. Foi aí que seu pé pisou em algo; era o vestido abandonado e lá se encontrava rasgado na região do tórax no formato de uma palavra: Roxanne.
Por: Felipe Filgueiras
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